sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vida....

....respira um ser dentro de outro...tão pequenino, tão indefeso, escolheu um interior um tanto velho, mas talvez confortável...não é possível saber se permanecerá o tempo possível para poder ver seu sorriso.
Inexplicável como instalou-se ali, embora dentro da lógica quase impossível ser gerado...
Mas, o amor não se explica, toma forma a alma, quando dois seres se encontram, mesmo sendo avessos...mesmo sendo opostos. Não há explicaçao para a vida, não existe hora, idade, cuidados...tempo...cidade maravilhosa!!!

Entre...

Entre as rochas, o penhasco se apresenta tão bonito, atraente. Enquanto o carro esporte vermelho, vidros escancarados, embala um ritmo quente, da decáda passada. Lenço no pescoço, vento que balança o cabelo, mãos que seguram a direção,  sem direção. Rosto juvenil, estrada Saint-Tropez. Mar, sol, vida!!!

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Homen

Ele acordara com medo, ele sempre tinha medo. Erguia lentamente a cabeça, olhava ao redor, aos poucos erguia o tronco, parecia serpentiar...depois dava um pulo, corria para as janelas, empurrava rápido as venezianas, deixava o dia entrar, clarear...clareando as perguntas, que vomitavam em sua mente...repetidas vezes!
Barulho da água da pia, escovava os dentes amarelos da nicotina , depois fazia uma concha com as duas mãos, e lavava seu rosto...um olho aberto e outro fechado...ele tinha medo, já estava acordado. Envelhecera assim.
Decidia ir direto para acender um cigarro, uma volta até o portão da casa, o mato não estava alto, dava tempo de esperar, entrava, bebia o café, mastigava o pão feito em casa, receita da qual nunca deixara de fazer, havia um prazer enorme em comer seu próprio pão, sentia liberdade em manusear a massa, sovar, esperar crescer...assar e depois comer. Enquanto isso, a velha máquina de escrever, já estava ali, o vinil, som de piano, o qual ele ás vezes, nem sequer ouvia, viajava muito enquanto escrevia.
Ele serpentiava , até na hora de escrever, movia seu corpo, enquanto os dedos batiam fortes na teclas, formando pensamentos, que o levavam a onde ele desejava...

Lisboa....

Expectativa da chegada, mas eram tão antiga  as casas, ruas e praças, mulheres e  homens...
As praias, tão mais frias suas águas. E, neva depois de 50 anos em Lisboa,   na avenida muita gente desce dos prédios,dos comércios, a neve caí brincando, misturando com os sorrisos dos que ali estavam, deixa branco os cabelos negros, uma imagem real. Eu nunca tinha visto nevar...
Passam dois anos, quero voltar, neva na alma. Saudade do calor da familia,da casa,dos amigos, do país...mas existia agora a expectativa do voltar....

domingo, 27 de março de 2011

Passado...presente

Dirigiu-se até a cozinha, na janela alguma iluminação ultrapassava a vidraça, ainda estava  lá  a violeta, presente desses, que ela não teve como não aceitar, o dono da revistaria lhe ofereceu, alguém tinha esquecido ali, então meia a contra gosto aceitou, violetas lilás... mas eram tantas flores, que saiam daquele vaso. Eram grandes as folhas, fora do padrão normal. Ela esboçou um sorriso falso, para não ser desagradável.
Muito embora tenha ficado feliz, por ver uma flor de aspecto tão belo, diferente como ela. Assim.... foi parar esse presente na janela da cozinha, ali ela tomaria sol, estaria perto da torneira de pingos internitentes, mais perto para ela molhar, não morreria  de sêde!
Acendeu o fogão, a chaleira com tão pouca água esquentava, prepararou o café, a tintura de sempre, enquanto isso, a lilás, assim ela chamara a violeta, receberia água...sobrevida, pensava  ela : como eu!
Chiou rápido a chaleira,buscou a chicara, o pó de café, açucar, permaneceu em pé , enquanto seus lábios, na borda da chicara, experimentavam o calor. Bebeu lentamente, e em segundos como sempre aquele voar inconciente ao passado. Ah, como era bom ouvir o riso dos amigos, do seu amor, no interior de sua casa, que maneira linda de acordar, tomar seu banho, olhando seu corpo curvilíneo, seus cabelos ruivos, semi longos, seus olhos verdes brilhantes...a juventude tem esse dom. Vestido floral, sapatos brancos de saltos altos. Com as mãos,modelava os cabelos, a boca carnuda preenchida com aquele baton vermelho. Adorava olhar-se, enquanto lá embaixo, todos aguardavam por ela, linda inteligente.
Rindo preparou um belo sorriso, abriu a porta de seu quarto, desceu as escadas, que a levariam a sala, batia forte o salto, assim todos ergueriam seus olhos, para ver a bela Irene.
Caterine, mais amiga que sua empregada, já se alvoroçara pela sala, conferindo, se as flores estavam colocadas da maneira que Irene gostava. Fora Caterine, mais que uma irmã....
A chicara foi ao chao, seu pensamento lhe trouxe a realidade, e como acontecia em momentos assim,  um grito de dor... saiu correndo pela casa, precisava chegar na sala, na mesa onde outrora vasos com suas flores preferidas, enfeitavam , era ali, naquela lata velha de biscoitos, que escondia seu segredo, rasgou depressa as embalagens,colocou todos os remedios, na palma daquela mão,velha e magra, comia um a um, como se fosse estancar a dor....um gosto amargo, fez que com que escorresse de seus lábios, sua saliva. Em seus surtos, Irene balbuciava,chorava, ria , dor maldita, pensava, acaba com este corpo velho. inútil.
 Minutos que pareciam intermináveis. A substância começara a agir, uma leveza, tomava conta dela agora, seus fantasmas do passado seriam aprisionados, estaria livre...enfim. A doce letargia, na retina a unica imagem.... seu vestido floral, a escadaria, seu grande amor.
Dormiu Irene....dormiu para sempre!!!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eles...

Ah, como eram barulhentos e falavam alto, os fantasmas de minha infância, adentravam ao quarto, logo após a luz ser   apagada. Escondiam-se dentro do armário de portas amarelas,  um frio de medo, percorria minha espinha. Eles sempre esperavam a noite chegar.
Durante o dia, estavam também presentes... mas só exalavam odores, corriam rápido pelo enorme corredor que dividia minha casa.
Eles brincavam entre si, eu os via passar de relance, tão rápido ,de um comodo ao outro.
Mas, era de dia. Eu não temia...mas a noite, ah a noite...Convivi com eles, até meus 14 anos, acostumei!!!
Voltaram na minha maturidade, não mais como fantasmas. Eu os sentia... em outra esfera... sem  temor agora.

Amado

Hoje sonhei contigo, teu corpo pesava sobre o meu...tua boca na minha nuca, tuas mãos atrevidas, acariciavam minhas coxas...ouvia teu gemido rouco, no meu ouvido. Meu coração batia forte, arrepios percorriam meu corpo... doce instante, me fiz tua amante, e tu amante meu....