quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Neve e ela

Da província distante e fria, a mulher olha de sua janela, onde antes corria o lago azul,
 hoje é só neve branca.
Branca,  quase queima a retina ...
Branca como a fumaça que saí pela chaminé.
 Fogão arde em brasa viva, esquentando o café.
Olha rápido por toda extensão,  dirigi-se à cozinha  com jeito apressado, serve na caneca sem cor ,
 O negro café, quente, acolhedor!
Bem ali, quase perto da janela, a banheira de pés torneados.
Branca...a banheira branca, tudo num raio imenso é branco, os pinheiros parecem  desenhos... brancos.
 A lareira acessa.
 Vermelha...Crepitando.
 A chaleira  em suas mãos, ela  abre o casaco  que cobre o corpo nú.
Não há frio ali dentro, derrama a fervente água e delicadamente,  primeiro um pé, depois o outro,
 E  então mergulha o corpo por inteiro, seus cabelos fazem desenhos sob água.
A mulher agora canta, suas musicas antigas, doces lembranças.
Suas mãos leves ensaboam  seu corpo...
 Abre o frasco de seu perfume, e o derruba por inteiro... parece um ato de ira!
 Aconchega a cabeça, na parte retangular da banheira, estica a mão, pega o livro e começa a ler.
Devora...
 Feito felino,
Devora...
 Feito  inverno queimando as folhas,
Devora...
 Feito caçador, no abate da ave inocente que sobrevoa o céu.
Devora....
A ultima pagina.
Mergulha suspendendo a respiração.
Lá fora, tudo é branco, ainda é branco!
  

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

De um salto

 Na cama, a mulher observava, no canto de sua boca a umidade de gosto estranho, 
não tinha cheiro de sangue, mas podia ver... o vermelho, através do velho espelho manchado. 
Não fez um gesto, não gritou, não chorou, pegou a taça e entornou o resto do que sobrou.
Quem estava ali? 
Ah, isso já não importava, a grana esta sob o criado mudo, sujo imundo, cupinzado.
Levantou de um salto, passou o dedo na boca, molhado de saliva, apagou o sangue... a marca, o sangue...
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O jornal

A noticia corria solta pela velha e antiga cidadezinha, terra de amizades profundas,
de amores escondidos, de pescarias, de mulheres confeiteiras, de crianças puras.
Terra de rio claro, de pedras lisas e perigosas, terra de fé.
Terra de risos, de mãos acolhedoras, de longevidade.
Terra de tempos bons e ruins...
O velho jornal era antigo, a manchete dizia claramente: Corram para igreja, os viajantes da cidade se aproximam, portam consigo  promessas.
 Mas, não se assustem os muros do lado de cá, são intransponíveis.
Em caso de dúvida venham rezar....
O jornal era antigo...  desses bem amarelados, o editor era um antigo morador,
de volta na cidade...o velho ria bem humorado!!!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Manhã de Domingo... redescobrindo

O Sol do fim da manhã, quase tarde.
O abraço, as mãos dadas.
O andar displicente, distraído quase adolescente
O dia vai passar, a noite vai chegar
Sons, sabores, cheiros, imagens, toques
Tudo ainda muito presente...

De:
Eduardo/Nov2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Subliminar

Como pode  despertar o coração antigo em cumplicidade com a mente, um maldito e ardente interesse... causando  esse nó na gente.
Quase cega a razão, o embalo doce da química total.
Há de se fazer esforço...ah mas que esforço para reparar a fome.
Preciso vomitar, por para fora a vontade de te beijar!

Amor secreto

Amanheceu já era tempo, ora que droga uma madrugada acordada.
A moça já banhada, aparentava calma, precisava trabalhar, o relógio parecia lento demais.
 E, no apartamento  frente ao seu  nem sinal, nem cheiro de café moído, nem musica...nada.
Silêncio que deixava ansiosa, a garota formosa.
Oito horas, vou sair, abre ávida a porta, e percebe que o jornal, ainda reposava sobre o capacho do 513, bateu forte o salto, enquanto desbravava o imenso corredor.
Pensava, onde estava ele, ele o do 513, sempre abriam a porta no mesmo minuto, do olhar para o sorriso, um  calor gostoso na alma valia o dia, depois o elevador, tudo bem eles não falavam, mas nessa altura o silêncio, era mensagem de amor.
Onde ele estava? Passou o dia, com a imagem dele na retina.
 Voltara correndo, sem sapatos optou pela escada, o miserável elevador estava parado no último andar. Coloca os sapatos, e calmamente desliza o longo corredor, no capacho de seu apartamento uma flor, um sorriso brilhou naquele belo rosto aflito, recolheu a flor... e a beijou!

Vestindo Sonho

No lugar vazio, cheirando a mofo, despida de  tudo.
 Nua, frágil e linda, ela continua costurando o vestido branco... terrívelmente branco.
 Sentada diante a desumana máquina de costura, ela determinada, emenda e remenda como se pudesse alterar a rota...ele partira cedo levando consigo o segredo.