Da província distante e fria, a mulher olha de sua janela, onde antes corria o lago azul,
hoje é só neve branca.
Branca, quase queima a retina ...
Branca como a fumaça que saí pela chaminé.
Fogão arde em brasa viva, esquentando o café.
Olha rápido por toda extensão, dirigi-se à cozinha com jeito apressado, serve na caneca sem cor ,
O negro café, quente, acolhedor!
Bem ali, quase perto da janela, a banheira de pés torneados.
Branca...a banheira branca, tudo num raio imenso é branco, os pinheiros parecem desenhos... brancos.
A lareira acessa.
Vermelha...Crepitando.
A chaleira em suas mãos, ela abre o casaco que cobre o corpo nú.
Não há frio ali dentro, derrama a fervente água e delicadamente, primeiro um pé, depois o outro,
E então mergulha o corpo por inteiro, seus cabelos fazem desenhos sob água.
A mulher agora canta, suas musicas antigas, doces lembranças.
Suas mãos leves ensaboam seu corpo...
Abre o frasco de seu perfume, e o derruba por inteiro... parece um ato de ira!
Aconchega a cabeça, na parte retangular da banheira, estica a mão, pega o livro e começa a ler.
Devora...
Feito felino,
Devora...
Feito inverno queimando as folhas,
Devora...
Feito caçador, no abate da ave inocente que sobrevoa o céu.
Devora....
A ultima pagina.
Mergulha suspendendo a respiração.
Lá fora, tudo é branco, ainda é branco!
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
De um salto
Na cama, a mulher observava, no canto de sua boca a umidade de gosto estranho,
não tinha cheiro de sangue, mas podia ver... o vermelho, através do velho espelho manchado.
Não fez um gesto, não gritou, não chorou, pegou a taça e entornou o resto do que sobrou.
Quem estava ali?
Ah, isso já não importava, a grana esta sob o criado mudo, sujo imundo, cupinzado.
Levantou de um salto, passou o dedo na boca, molhado de saliva, apagou o sangue... a marca, o sangue...
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
O jornal
A noticia corria solta pela velha e antiga cidadezinha, terra de amizades profundas,
de amores escondidos, de pescarias, de mulheres confeiteiras, de crianças puras.
Terra de rio claro, de pedras lisas e perigosas, terra de fé.
Terra de risos, de mãos acolhedoras, de longevidade.
Terra de tempos bons e ruins...
O velho jornal era antigo, a manchete dizia claramente: Corram para igreja, os viajantes da cidade se aproximam, portam consigo promessas.
Mas, não se assustem os muros do lado de cá, são intransponíveis.
Em caso de dúvida venham rezar....
O jornal era antigo... desses bem amarelados, o editor era um antigo morador,
de volta na cidade...o velho ria bem humorado!!!
de amores escondidos, de pescarias, de mulheres confeiteiras, de crianças puras.
Terra de rio claro, de pedras lisas e perigosas, terra de fé.
Terra de risos, de mãos acolhedoras, de longevidade.
Terra de tempos bons e ruins...
O velho jornal era antigo, a manchete dizia claramente: Corram para igreja, os viajantes da cidade se aproximam, portam consigo promessas.
Mas, não se assustem os muros do lado de cá, são intransponíveis.
Em caso de dúvida venham rezar....
O jornal era antigo... desses bem amarelados, o editor era um antigo morador,
de volta na cidade...o velho ria bem humorado!!!
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Manhã de Domingo... redescobrindo
O Sol do fim da manhã, quase tarde.
O abraço, as mãos dadas.
O andar displicente, distraído quase adolescente
O dia vai passar, a noite vai chegar
Sons, sabores, cheiros, imagens, toques
Tudo ainda muito presente...
De:
Eduardo/Nov2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Subliminar
Como pode despertar o coração antigo em cumplicidade com a mente, um maldito e ardente interesse... causando esse nó na gente.
Quase cega a razão, o embalo doce da química total.
Há de se fazer esforço...ah mas que esforço para reparar a fome.
Preciso vomitar, por para fora a vontade de te beijar!
Quase cega a razão, o embalo doce da química total.
Há de se fazer esforço...ah mas que esforço para reparar a fome.
Preciso vomitar, por para fora a vontade de te beijar!
Amor secreto
Amanheceu já era tempo, ora que droga uma madrugada acordada.
A moça já banhada, aparentava calma, precisava trabalhar, o relógio parecia lento demais.
E, no apartamento frente ao seu nem sinal, nem cheiro de café moído, nem musica...nada.
Silêncio que deixava ansiosa, a garota formosa.
Oito horas, vou sair, abre ávida a porta, e percebe que o jornal, ainda reposava sobre o capacho do 513, bateu forte o salto, enquanto desbravava o imenso corredor.
Pensava, onde estava ele, ele o do 513, sempre abriam a porta no mesmo minuto, do olhar para o sorriso, um calor gostoso na alma valia o dia, depois o elevador, tudo bem eles não falavam, mas nessa altura o silêncio, era mensagem de amor.
Onde ele estava? Passou o dia, com a imagem dele na retina.
Voltara correndo, sem sapatos optou pela escada, o miserável elevador estava parado no último andar. Coloca os sapatos, e calmamente desliza o longo corredor, no capacho de seu apartamento uma flor, um sorriso brilhou naquele belo rosto aflito, recolheu a flor... e a beijou!
A moça já banhada, aparentava calma, precisava trabalhar, o relógio parecia lento demais.
E, no apartamento frente ao seu nem sinal, nem cheiro de café moído, nem musica...nada.
Silêncio que deixava ansiosa, a garota formosa.
Oito horas, vou sair, abre ávida a porta, e percebe que o jornal, ainda reposava sobre o capacho do 513, bateu forte o salto, enquanto desbravava o imenso corredor.
Pensava, onde estava ele, ele o do 513, sempre abriam a porta no mesmo minuto, do olhar para o sorriso, um calor gostoso na alma valia o dia, depois o elevador, tudo bem eles não falavam, mas nessa altura o silêncio, era mensagem de amor.
Onde ele estava? Passou o dia, com a imagem dele na retina.
Voltara correndo, sem sapatos optou pela escada, o miserável elevador estava parado no último andar. Coloca os sapatos, e calmamente desliza o longo corredor, no capacho de seu apartamento uma flor, um sorriso brilhou naquele belo rosto aflito, recolheu a flor... e a beijou!
Vestindo Sonho
No lugar vazio, cheirando a mofo, despida de tudo.
Nua, frágil e linda, ela continua costurando o vestido branco... terrívelmente branco.
Sentada diante a desumana máquina de costura, ela determinada, emenda e remenda como se pudesse alterar a rota...ele partira cedo levando consigo o segredo.
Nua, frágil e linda, ela continua costurando o vestido branco... terrívelmente branco.
Sentada diante a desumana máquina de costura, ela determinada, emenda e remenda como se pudesse alterar a rota...ele partira cedo levando consigo o segredo.
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