terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Na Ribalta

Chegara bem cedo, antes de todos.
Tomada de coragem subiu a escada e espionou.
O cara parecia um tigre, enquanto martelava o cenário.
Era forte, pele de bronze, ombros largos
Negros cabelos contornavam a rudeza bela de seu rosto,
Ela se distraiu... a escada quase caí, deu um grito e ele viu.
Sorriu!
Ela descaradamente começou a cantar...
As gargalhadas dos dois espalhou-se como trilha sonora do espetáculo
 Que já ia iniciar... dentro e fora de lá!

Dom

Dominante, não lasciva.
Dominante, não ofensiva.
Dominante... se escondia!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma tarde!

A mais nova vai ao encontro da outra...um pouco mais velha.
Sentada na cadeira branca, embaixo da arvore acolhedora...ela espera.
A mais velha tão fragil...
Caminha...
Passos lerdos. 
No soutien, embaixo da cava blusa um nó.
Desata o nó arruma, quase grita a mais nova. Misto de sentimentos.
Foi pro ralo a mágoa!
Olha a árvore amarela lá fora, há tanta beleza nela...repete ela a mais velha!
Nó na garganta da outra, tão similar se faz a história.
Resgata a alma ferida... e vai embora!
Leva o choro contido, leva história de vida que se repete... fica mexido o sentido da vida!


Tu

E, quando vi tu sorria timidamente para mim.
Deste jeito
 Sem jeito
Jeito só teu...
E, eu sorria assim... assim para ti...
Sem jeito, do meu jeito!

Estranho....Ser!

Tempo num vácuo!
Vibra o sangue da mulher embebida no sonho.
Ah... jogo de sorte
 Ah... jogo de azar
Bacara!!!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Aroma

Amante ousada, bate na cara do seu cara, boca desenhada, cheiro de aroma barato.
Arrebatada, é levada por ele para alcova, 
Delirios....
Suas pernas se abrem, ele a penetra,
 Sua respiração é forte, e ele a beija. 
Desce os lábios pela nuca lisa, 
mãos que se entrelaçam,
 olhos se fixam,
 beijos que emudecem.
Suspiros....


A Neve e ela

Da província distante e fria, a mulher olha de sua janela, onde antes corria o lago azul,
 hoje é só neve branca.
Branca,  quase queima a retina ...
Branca como a fumaça que saí pela chaminé.
 Fogão arde em brasa viva, esquentando o café.
Olha rápido por toda extensão,  dirigi-se à cozinha  com jeito apressado, serve na caneca sem cor ,
 O negro café, quente, acolhedor!
Bem ali, quase perto da janela, a banheira de pés torneados.
Branca...a banheira branca, tudo num raio imenso é branco, os pinheiros parecem  desenhos... brancos.
 A lareira acessa.
 Vermelha...Crepitando.
 A chaleira  em suas mãos, ela  abre o casaco  que cobre o corpo nú.
Não há frio ali dentro, derrama a fervente água e delicadamente,  primeiro um pé, depois o outro,
 E  então mergulha o corpo por inteiro, seus cabelos fazem desenhos sob água.
A mulher agora canta, suas musicas antigas, doces lembranças.
Suas mãos leves ensaboam  seu corpo...
 Abre o frasco de seu perfume, e o derruba por inteiro... parece um ato de ira!
 Aconchega a cabeça, na parte retangular da banheira, estica a mão, pega o livro e começa a ler.
Devora...
 Feito felino,
Devora...
 Feito  inverno queimando as folhas,
Devora...
 Feito caçador, no abate da ave inocente que sobrevoa o céu.
Devora....
A ultima pagina.
Mergulha suspendendo a respiração.
Lá fora, tudo é branco, ainda é branco!